Dezirée & Lucca Forever

terça-feira, agosto 30

Um encontro "abarrotado" de prazer...

Ler foi sempre uma das minhas grandes paixões. Meu primeiro livro ganho em um aniversário foi bastante pesado, porque além do peso de ser um clássico da literatura trazia em si uma história densa para uma menina de 13 anos...Vidas Secas de Graciliano Ramos, recordo que chorei muito com Baleia e que seu sofrimento ficou durante um bom tempo em minha memória. Quando reli, bem mais velha o livro, obviamente haviam outras conotações que me chamaram atenção, mas mesmo assim, nunca esqueci o prazer e a emoção que tive na primeira leitura. Recordei essa passagem porque estudando sobre o tema Cultura escolar, através da produção da cultura impressa, deparei com uma passagem citada pela autora Carlota Boto, sobre um livro de uma de minhas mais profundas e encantadoras escritoras: Clarice Lispector. Boto traz um trecho de um conto da Lispector na qual ela cita a emoção e as sensações sentidas ao receber em suas mãos o livro Reinações de Narizinho. Sua sensibilidade, sempre tocante e indiscutível, me emocionou:

[...]  é tudo o que uma pessoa grande ou pequena pode ter a ousadia de querer. Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada.Peguei o livro. Não, não sai pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só pra depois ter o susto de ter. Horas depois, abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais, indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade iria sempre clandestina pra mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar...Havia orgulho e pudor em mim.Eu era uma rainha delicada. Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o liro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro:era uma mulher com o seu amante" {Lispector, s.d., p.18}

Bom dia à todos!

Fênix Forever


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ocorreu um erro neste gadget