Dezirée & Lucca Forever

domingo, junho 3

Encantamentos


Adoro falar de “encantamentos”! Essa palavra traduz em mim, movimentos de vida. Em minhas andanças nos mundos dos poetas e escritores frequentemente sinto essa inquieta tradução das palavras. Tenho paixão por esses seres que representam tantas emoções em letras que se juntam e se completam e se transbordam. Escrever é mesmo “um ato de coragem, que requer dedicação”, conforme diz Cármem Neves.
Um bom leitor, ou um leitor apaixonado, consegue absorver ou ainda, recriar em si milhares de sensações. Eu faço e refaço inúmeras viagens e infindáveis travessias em mim, quando leio. Ler também é um dom. Pra mim, o é. Quando leio, dispo-me de toda e qualquer barreira, faço vôos incríveis e me reapaixono pelo mesmo(a) autor (a) repetidas vezes.
Assim é por exemplo com Manuel de Barros, o poeta da terra. Esse tradutor intenso do meu eu mais puro e romântico. Quando leio Manuel, sempre associo suas palavras à imagem da minha avó, aquela que a lua sempre me traz de volta. É por tudo isso, por Manuel, pela lua e por minha avó que findo o dia de domingo que tanto e abertamente amo...


Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas
leituras não era a beleza das frases, mas a doença
delas.
Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor,
esse gosto esquisito.
Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
- Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável,
o Padre me disse.
Ele fez um limpamento em meus receios.
O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença,
pode muito que você carregue para o resto da vida
um certo gosto por nadas…
E se riu.
Você não é de bugre? – ele continuou.
Que sim, eu respondi.
Veja que bugre só pega por desvios, não anda em
estradas -
Pois é nos desvios que encontra as melhores surpresas
e os ariticuns maduros.
Há que apenas saber errar bem o seu idioma.
Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de
gramática.


( Manoel de Barros )






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