Dezirée & Lucca Forever

quarta-feira, maio 23

Amor líquido


Ando retomando coisas boas e no meio delas algumas leituras maravilhosas. É interessante (re)assistir filmes e livros porque a cada volta, novos olhares nos permitem reflexões diferenciadas e/ou mais “apuradas”...
Sendo assim retomei a leitura do livro Amor Líquido de Zigmunt Bauman. Recomendo sua leitura tanto para trabalhos acadêmicos (meu encontro com ele) como para aqueles que tenham a curiosidade em entender as engrenagens das relações do mundo moderno sob uma ótica racional, mas estranhamente romântica. Lê-lo não mudou em nada minha forma de encarar a vida, mas me fez entender e respeitar ainda mais a minha forma particular de ser. Divido com vocês uma passagem peculiar onde ele explica à dependência que criamos com o acesso as novas tecnologias e como ressignificamos a forma de nos comportarmos socialmente.  (página 38)
Aos que se mantêm à parte, os celulares permitem permanecer em contato. Aos que permanecem
em contato, os celulares permitem manter-se à parte...
Jonathan Rowe nos lembra:
No final da década de 1990, em meio ao boom da alta tecnologia, passei algumas horas num café na área dos teatros de São Francisco... Observei uma cena recorrente lá fora.
A mãe está amamentando o bebê. Os garotos estão beliscando seus bolinhos, em suas cadeiras, com os pés balançando. E lá está o pai, ligeiramente reclinado sobre a mesa, falando ao celular ... Deveria ser uma "revolução nas comunicações", e no entanto aqui, no epicentro tecnológico, os membros dessa família estavam evitando os olhares uns dos outros (8)

Dois anos depois, Rowe provavelmente veria quatro celulares em operação em torno da mesa. Os aparelhos não impediriam que a mãe amamentasse o bebê nem que os garotos beliscassem seus bolinhos. Mas tornariam desnecessário que eles evitassem olhar-se nos olhos: àquela altura, de qualquer forma, os olhos já se teriam tornado paredes em branco — e uma parede em branco não pode sofrer danos por encarar uma outra. Com tempo suficiente, os celulares treinariam os olhos a olhar sem ver.

By Fênix Forever


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