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quarta-feira, agosto 20

Olímpíadas 2006? 2004...

Olimpíadas 2008? 2004...
Damião de Lima – Departamento de História/UFPBHoje, analisando o quadro de medalhas das olimpíadas de Pequim, lembrei que há distantes quatro anos havia escrito um texto, para esse mesmo periódico, abordando a participação dos nossos atletas nos jogos olímpicos.Qual não foi minha surpresa ao reler o artigo e constatar, melancolicamente, a atualidade do escrito.Sou um entusiasta do governo Lula, votei nele nas duas últimas eleições, mas não posso me furtar à crítica. No mesmo instante em que estou relendo o meu artigo de quatro anos atrás e que versava, entre outras coisas, sobre o fraco desempenho do nosso país no quadro de medalhas, recebo um e-mail- denúncia, com o avanço do patrimônio do filho do Presidente.Lulinha acresceu nos seus bens uma fazenda no valor de R$ 47 milhões. E, devido a circunstância o paralelo é inevitável. O crescimento do patrimônio de um jovem empresário e a estagnação-recessão do esporte, sim porque no quadro de medalhas, comparado aos jogos passados, está havendo uma regressão no número de medalhas conquistadas pelos atletas brasileiros. Assim, apesar de esdrúxula a comparação entre medalhas e patrimônio, fiz o paralelo; e ao imaginar que se os investimentos no esporte fossem feitos na mesma proporção dos ganhos auferidos por esse jovem, nos últimos oito anos, nós seríamos os campeões no quadro de medalhas ou estaríamos bem próximos disso.Sem mais delongas vou reapresentar o artigo anterior e espero, sinceramente, que não tenha que repetir esse mesmo discurso daqui a quatro anos. Aproveito a oportunidade para parabenizar a todos os heróis que conseguiram com os minguados incentivos recebidos chegar a Pequim e, com ou sem medalhas, merecem o nosso reconhecimento.Por outro lado, faço um apelo às autoridades brasileiras: Por favor, desatualizem o meu texto nesses quatro anos vindouros.
Eis o texto do passado.
Aos Heróis do esporte
As olimpíadas desse ano trazem como grande novidade o desempenho da China no quadro de medalhas, disputando, em pé de igualdade, com a grande potência mundial: os Estados Unidos da América.
É importante perceber como disputa política e econômica no mercado mundial anda lado a lado com investimentos em esporte. Até porque, desde a guerra fria, o bom desempenho nos esportes é sempre visto como uma das principais propagandas governamentais do sistema político, seja esse capitalista ou socialista. No caso do Brasil os nossos governantes de ontem e hoje, por falta de projeto político, social e econômico, não atentaram para esse detalhe. Nosso desempenho nos jogos olímpicos continua sendo medíocre. O que conseguimos de medalhas é muito mais pelo esforço sobre-humano dos atletas e dos “pai-trocinadores” do que dos investimentos das empresas ou do governo.
Enquanto não percebermos que esporte e educação são investimentos lucrativos do ponto de vista político, econômico e social, andam juntos e que deve ser direito de todos e dever do Estado, não conseguiremos sair dessa incomoda posição em que estamos.
É triste vermos um país com dimensões continentais e com o potencial que temos para o esporte figurar na colocação em que se encontra o Brasil no quadro de medalhas. Porém, essa situação se torna totalmente compreensível se nos dermos conta que os programas esportivos de nossas rádios e televisões passam quatro anos mostrando, quase que diariamente, a imensas dificuldades de nossas atletas em participar das competições, tendo jornada dupla de trabalho para manter-se treinando, implorando por patrocínio ou, como acontece com a maioria dos jovens, desistindo da carreira por não ter como se manter no esporte.
No entanto, quando chega o período das olimpíadas as cobranças em cima dos poucos heróis que sobreviveram às dificuldades são enormes e, esse ano, a televisão ainda resolveu expor os familiares e amigos desses atletas a situações vexatórias, criando a falsa ilusão de que nossos atletas teriam condições de competir com atletas que passam quatro anos ou mais se preparando e dispondo de todas as condições materiais e psicológicas para competir.
Chega de enganação. Esses jovens que chegaram até Atenas, enfrentando as dificuldades que eles enfrentaram merecem respeito e suas famílias e amigos devem ser preservados. Ao invés de mostrar as famílias e suas angústias ao ver as chances de medalha se desmancharem no ar, as redes de televisão deveriam mostrar as condições de treinamento que essas pessoas tiveram ou mesmo entrevistar as pessoas mais próximas para que elas falassem das dificuldades enfrentadas pelos atletas para conseguir chegar até às olimpíadas. Outro fator lamentável nessa história é sabermos que não se vislumbram mudanças positivas pelo menos em futuro breve.
Vejam que esse ano coincidiu das olimpíadas disputar espaço na televisão com o programa eleitoral dos candidatos municipais. A televisão reveza recordes e propaganda eleitoral e, ao contrário do que se esperava, os políticos não fizeram a vinculação desse importante evento com suas plataformas de governo.
O que demonstra que nossos representantes ainda não perceberam a importância do esporte aliado à educação na transformação do país. Nem mesmo perceberam que o esporte pode ser utilizado como propaganda positiva de um modelo administrativo como fazem as potências.
O imediatismo da política brasileira é o grande responsável por essa situação caótica em que se encontra o país e que se reflete nos mais variados índices de desenvolvimento, inclusive no esporte.
Por tudo isso, parabenizo a todos os atletas brasileiros: os que conseguiram as medalhas, os que conseguiram apenas competir em Atenas, bem como, os milhares de jovens que por falta de apoio não conseguiram os índices olímpicos. Parabéns a todos, vocês são verdadeiros HERÓIS.

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Damião de LimaJoão Pessoa

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