Não devemos ter medo dos confrontos. Até os planetas chocam, e do caos nascem as estrelas... ""Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira." Cecília Meireles."

Clarice Lispector


É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.

Como eu não tenho o dom de ler pensamentos, eu me preocupo somenteem ser amigo e não saber quem é inimigo. Pois assim, eu consigo apertara mão de quem me odeia e ajudar a quem não faria por mim o mesmo.

Dezirée Forever

Clarice Lispector

Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.

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Sábado, Fevereiro 14

COMPAIXÃO-


"Não usemos bombas nem armas para conquistar o mundo. Usemos o amor e a compaixão. A Paz começa com um sorriso. Sorria pelo menos cinco vezes por dia para as pessoas a quem você normalmente não daria um sorriso. Faça isso pela paz. Irradiemos a paz de Deus e tornemo-nos o reflexo de Sua luz para extinguir no mundo e no coração dos homens toda espécie de ódio e o amor pelo poder. Sorria junto com os outros, embora isso nem sempre seja fácil."







"Certa vez quis participar de um programa voluntário através de auxilio a pessoas via telefone...
Para integrar-me era necessário passar por uma série de etapas
Na verdade compreendi de fato o que alguns programas de ajuda voluntária representam para indivíduos em situação de desequilíbrio e desespero...
O senhor que iniciou a primeira entrevista foi muito gentil e educado e fez uma pergunta que a princípio me deixou indignada, pois de alguma forma eu me senti ofendida, foi como se "ele" tivesse que me agradecer por eu estar ali disponibilizando o meu”precioso” tempo para ajudar...
Ele olhou pra mim e indagou: _Você está aqui para ajudar alguém ou para se ajudar¿ Será que você compreende o verdadeiro sentido da compaixão¿
Como já falei aquilo me indignou e por mais que eu tentasse explicar o meu objetivo, me sentia perdida nas justificativas...
Entendi então que não estava preparada para esquecer meus problemas e dar à mão a outra pessoa, sem que isso se misturasse dentro de mim...

A partir daquele dia passei a ter uma admiração especial por esses seres acalentadores e generosos que levam e entregam esperança a pessoas que nunca sentiram que poderiam tê-la."

SONETO DA FIDELIDADE- VÍNICIUS DE MORAES




De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.


Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento


E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.


"O que me encanta nesse soneto é graça que define o ser “fiel”, uma sentido tão real quanto o que cada um de nós acredita.
É sempre interessante conhecer posicionamentos intelectuais a respeito de determinados valores. Sei que muitos deles são criações sociais, política, culturais.
Mas veja o que Vinicius tão sutilmente fala:
“... Que mesmo em face do maior encantoDele se encante mais meu pensamento...”
Ele não fala da impossibilidade, da “cegueira” que muitos defendem no amor. Ao contrário, ele diz que podem existir “encantamentos”, mas o “meu” o que sinto, é o que me sacia.
“... E assim, quando mais tarde me procure” E mesmo que chegue ao fim!

“Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chamaMas que seja infinito enquanto dure.”

Só quem um dia pode amar com tanta plenitude, compreende a beleza dessas palavras..."

Quinta-feira, Fevereiro 12

A minha FÈ


Não busquei nenhuma definição sociológica, antropológica, cultural, para defini-la.

Assisti muitas e infinitas contendas a respeito do referido tema nas aulas de filosofia, de sociologia, de teoria. Vi muitos colegas enfurecidos, defendendo sua religião que ardor e paixão. Percebi professores medindo suas forças, de forma sarcástica e ofensiva. Algumas vezes, me retirei, porque me negava a ter que ficar ali escutando duas pessoas apaixonadas pelas suas convicções religiosas ou filosóficas, tentando convencer de que a sua e não a dele era a certa, era a lógica, era a mais verdadeira.
Houve instantes em minha vida que realmente duvidei do que seria a fé, mas um dia fui tocada de uma forma muito especial e aprendi que a fé é como o amor, não importa a definição, ela existe do tamanho e do jeito que cada um acredita.
Sempre leio indagações a respeito do Deus que permite coisas como o que ocorreu com a moça grávida de gêmeos, atacada por imbecis que se julgam superiores, acontecer. Ou mesmo a miséria e a fome que vemos cotidianamente massacrar crianças, idosos e pessoas indefesas. Compreendo essa interrogação, essa busca de algo que seja explicável.
Mas quem ou o quê promove esses absurdos, é Deus ou somos nós, seres humanos evoluídos¿

 
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